Fui enganada, mais uma vez. Fui. Enganada.
Podia alegar que foi pelo fado, vida madrasta que insiste em emburralhar-me.Tira-me os contactos com a fada madrinha e impossibilita-me a ascensão a cinderela.
Podia justificar com a crise económica+crise emocional= conjuntura depressiva que nos obriga a um apego desnecessário e imediato a quaisquer boas intenções, mesmo as provenientes daquele sítio que as tem cheio!
Poderia incluir os olhos magoados mas lindos e com aquelas intenções todas ali tão bem escritas; as mãos que sabiam exactamente o seu lugar neste corpo que rápido rápido a elas se entregou; a boca cheia de coisas belas e eu carente a querer acreditar nelas todas.
Fui ludibriada por mim. Falseei-me com todas as letras e plavras que consegui reunir no diccionário mental que me resta. Projectei tanto neste espelho que já só vazio reflecte que agora, com luz e imagem de fundo me apercebo que só cá estou eu, perdida entre o alfabeto que vesti para me enfeitar para ti!
Enganada e nua, sem linha e nem agulha, terei que me reinventar e aprender a ser outra vez, sem o resto todo...apenas eu!

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