segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Quando as nossas palavras já não chegam


Gostava de te fazer mudar de ideias, de te mostrar que tu e eu valemos muito bem a pena. A pena a alegria e todas as chatices pelas quais terias que passar até haver um tu e eu.
Mas não consigo. Se não o fizeste e se não o queres, não consigo com o meu verbalizar prender-te a mais nada.
Gostava de ter escrito estas palavras, de ter sido eu a musicá-las...mas não fui. Compete-me o papel de ouvinte e "só" devo apropriar-me delas assim mesmo, ao acaso e de vez em quando, não são minhas mas sinto-as assim mesmo.

-Um beijo não é apenas um beijo-
"Um beijo não é apenas um beijo
e é por isso que putos e putas,
as pessoas mais puras abaixo do céu
não o dão à toa.
Um beijo não é apenas um beijo:
É uma promessa
É um deslumbre
É um assombro
devastador
E é verdade que jamais poderá ser escrita ou falada
Tal como o teu amor
Um beijo nunca será apenas um beijo
Muito menos se for teu e meu."
Carlos Nobre

sábado, 15 de dezembro de 2012

Fecha-se o livro...


A verdade...essa maluca que persegue em quem nela acredita e transforma-se em sobra para quem dela se faz acompanhar. Sempre sofri por essa senhora que abre capítulos, acompanha as minhas narrartivas e decide sempre o seu final. Há sempre um grande (leia-se dramático) final nas minhas histórias, é sempre um final triste e deixa-me sempre a sentir desamparada. talvez se me rodar de uma mentirazita de vez em quando me ajude. Pelo menos nestas "partes" que são aquelas em que (en)cerro o livro.

Assim escreveu ela...



És um fraco e um estúpido, uma pessoa pequena e parva. Estás a tratar-me com o conformismo com que tratas a tua vida sem te aperceberes que estás a deixá-la pura e simplesmente a passar...quanto à tua namorada ...falas em respeito e pedes-me tempo para fazeres nada e deixares correr os dias cheios de conformismo, amizade e carinho? Não mereces nada do amor que ela ainda terá por ti e o que estás a fazer aos dois é impedir-vos de viver...em separado o que a juntos já não fazem. 
Sobrevives e eu espero de concha e coração aberto por ti quando o que queres é ficar quieto?
 Deixo-te na tua vida de sempre e vou à minha que é a de sempre mas que existe e anda para a frente. Mesmo estando parada ao menos não páro ninguém comigo. A vida é movimento, é deixar andar e sentir, lês isso, faz parte da filosofia de vida em que acreditas mas preferes fazer disso um sonho, um futuro inatingível para não teres que o confrontar com o teu presente ...cinzento e parado. Não me peças o mesmo (a verdade é que nem o pediste!!!) 
Estúpida e crédula fui a dar-te tempo e a achar que ias mesmo fazer algo...não passas de mais um e eu de mais uma a acreditar que juntos íamos fazer e sentir mais e melhor pureza no meio desta falsidade toda...é isso, és um falso e eu não o sou, pior, não quero ser! Recuso-me a ser mais uma assim...entregue a essa tua realidade...fico na minha! Triste e depressiva.
Deves-me um pedido de desculpa por me teres feito perder  tempo.Uma  preciosidade por estes dias que rapidamente transformam o hoje num passado já quase tão distante.
Deves-me outro pedido de desculpa por teres entrado na minha vida  e desarrumado a prateleira em que estavas tão quieto e tão bem arrumado.
Não me deves nada porque a única coisa que te pedi foi verdade e sinceridade para contigo e depois para comigo e disso não foste capaz, nem és e nem serás capaz de o ser/ter/fazer.
(fecha-se o livro) 




Nota Pessoal: como é que eu ainda caio nestas??

Assim escreveu ele...


My Dear,
Penso em ti numa parte grande do meu dia. A noite continua fechada com poucas memórias certamente para restabelecer energia para os dias, encobertos.
Escrevo-te acima de tudo, frontalmente. Já passaste pelo que estou a passar e saberás que não é fácil. Do sentir ao fazer vai um percurso...que estou a fazer...e não, não tenho a tua coragem emocional.
Ainda não falei com a minha namorada. Estou a deixar que o sentimento se pronuncie sendo depois mais fácil enquadrá-lo com palavras, então redundantes porque evidenciarão o óbvio. O momento ainda não aconteceu.
Reina agora a doce complacência e conforto do passado, da empatia, do carinho e da amizade. Não posso dizer que estou triste. Por um lado sabe bem este conforto conformista, mas continuo a sentir-me zombie, nem morto nem vivo. Não gosto desta sensação e mantenho a minha posição e firmeza que quero andar em frente para voltar a descobrir um futuro a cores, num dia de sol, que seja um, ao teu lado. Essa imagem repete-se, nítida, repetidamente.
Dizem que o tempo cura todas as feridas. Estou a negociar com ele porque a ferida já está demasiado aberta.
Não te posso nem quero pedir tempo porque não lhe consigo por uma data certa e por isso te digo, com respeito. Protege-te. Por muito que saiba que isso poderá significar voltares para dentro de uma concha que não conseguirei voltar a abrir.
Adoro-te.

Nota: este texto é uma adaptação e quaisquer semelhanças com algum real será a mais pura das coincidências...
Já agora, não, nunca passei pelo que este alguém está a passar e não sou eu quem acredito que do sentir ao fazer vai um percurso...não me sentiria bem ao deixar algo aqui escrito e no qual não acredito.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

...mais uma viagem...

Sempre que ando nestes carroceis enjoo. Enjoo de mim e do que se passa à minha volta, sempre muito rápido e de forma desfocada penso sempre que não vejo a hora de parar e sair, nem comprei bilhete. Puseram-me aqui e aqui despertei para a vida apenas para me sentir enjoada e enojada...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O espelho

"Acordei muito bem disposto. Lavei-me, penteei-me, vesti uma roupa nova e calcei uns sapatos bem engraxados. Depois olhei para o espelho e vi, mesmo à minha frente um rapaz muito jeitoso.
-estás muito bem arranjado-disse-lhe eu- Onde vais? Posso ir contigo?
Ele não respondeu.
Pouco depois, porém, abriu-se a porta que havia naquele outro quarto que estava para lá do espelho e eu vi, com grande espanto, entrar ali a Susana.
-Gosto muito de ti- disse-lhe o tal rapaz.
-Eu também gosto de ti- respondeu a Susana.
Olhei por mim abaixo e reparei que estava igualzinho ao rapaz do espelho. Compreendi então que ele era eu.
Nesse instante abriu-se a porta do meu quarto. Era a Susana e vinha a sorrir. Eu não pensei duas vezes,  disse-lhe logo:
-Gosto tanto de ti!
Ela, sorrindo cada vez mais:
-Também gosto muito de ti.
Demos as mãos e saímos. Antes de sair olhei para o espelho e então lembrei-me do que o meu pai dissera quando o pôs lá: "há espelhos que nos mostram o que se passa no coração".
Álvaro Magalhães. O homem que não queria sonhar e outras histórias, Edições ASA, 2008