terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Conversa esquizofrénica 2:
-Parece que não percebes!...
-Foi na tua cama a última vez que fui feliz!
-Dormiste bem?
-Ainda bem que a vendeste!
-Vá lá, eu mereço, é quase Natal!
-Vendeste a cama?
-Não me levas a lugar nenhum...
-Não percebem? Vendeste a cama?
-Não, vendi a felicidade!
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Conversas esquizofrénicas 1
-Ele é um parvo que nunca mais me disse nada!
-Eu é que sou uma parva por ter achado que ele me ia dizer alguma coisa!
-...Parvoíces...
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
A minha cama enfeitada
Estou uma pessoa diferente!
Enfeitei a minha cama para ti. Foi com paciência, atenção e mais sentimentos do que aqueles que cabem numa frase ...ou tenho por hábito transportar em mim ...que colhi 40 pétalas que dividi por 8 flores e as dispus pela minha pequena cama.
Uma manobra nada ingénua já que foi feita com duas ou três intenções! Em primeiro lugar para te adornar o ego...em segundo lugar para te tirar a atenção do meu corpo enquanto esperava que o desnudasses. Por último...porque queria rivalizar em termos de beleza com todos os outros leitos por onde já passeaste esse corpinho.
O desejo de me ver despida por ti não se concretizou, o teu ego não necessita de mais adornos e a verdade é que nem quero saber por quantos ou que estética tinham as outras camas por onde passaste.
Estou uma pessoa diferente!
As flores e as respectivas pétalas murcharam, não mais soube de ti mas os adereços lá estão...Continuo a enfeitar a minha cama,só que agora, é só para mim.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Fugas emocionais ou nem por isso?
-É só isto-dizia ela enquanto fazia um gesto melancólico a que se chama vulgarmente resignação na direção do que ela achava ser mesmo "só" aquilo!
A verdade é sempre mais simples do que julgamos e muitas vezes mais dolorosa em igual proporção. Sem nunca querer suplantar-me do nível medíocre e aceitável da minha baixa auto estima, foi com calma e no silêncio que dei por mim a fazer mentalmente uma espécie de lista prós e contras da minha situação. Assim sendo decidi convertê-la a um registo mais físico, quase como um gesto de auto envergonhanço a ver no que isto dá.
*Se ele sentiu algo por mim, não é pelo meu silêncio magoado mas que ele não o reconhece como tal que deixar-me-á de voltar a procurar;
*Se eu signifiquei mais do que apenas uma queca, dei-o a entender o que pode tê-lo afugentado e eu não quero um homem com medos do amanhã quanto mais assustado com o hoje;
*Se ele me achou inferior ou não meritória de si, menos mal... eu não o saberia enganar por muito tempo na tentativa vã de mostrar ser algo que não o interior deste tuppaware chamado corpo de gente;
*Se ele precisar de tempo para organizar a sua vida, pode ser que demore menos do que os 16 anos que tive que esperar da última vez até um gajo cair em si. Aí, pode ser bom, arrumada a casa em Belém para onde estará a fazer mudanças, ele poderá ter deixado crescer a barba que eu prefiro do que o queixo irritado que me deixou e ele disposto a ver-me como sou: a louca que se deixa levar por um conversa eletrónica de uma noite até um encontro que no momento nem me pareceu muito sexual mas que agora e bem vistas as coisas não parece ter passado muito disso e ainda por cima com qualidade duvidosa.
* Um gajo que considera como hipótese uma paixão ser árdua, ou é homem para mim ou anda no meus antípodas e apercebo-me de que a missão de me re-estruturar e credibilizar o outro lado desta história está prestes a fracassar...
Nem sequer fui novidade na arte do encontro furtuito e com uma quase desconhecida e bolas, lembro-me agora que lhe perguntei se no dia a seguir ele iria fazer comigo o mesmo que com a menina de Milfontes e não mais a encontrar...Porra, não me lembro da resposta dele mas há outro lado positivo, não paguei por um bungalow num parque de campismo.
Enfim, de quatro miragens engraçadas e cheias de pormenores com humor e infantilidade pura até ao encontro de dois adultos que se aventuraram numa ingenuidade sonhadora...quando em menos de dois dias me vejo sem o novo amigo do livro das caras, sem o jantar easy e descontraído a que nos tínhamos mutuamente convidado, sem o vinho ou sms bonitas no dia seguinte e com uma cumplicidade a lembrar-me a expressão "apaixonarmo-nos arduamente"...então só me resta mesmo o adjectivo louca e a tarefa quase psicoterapêutica de fazer uma lista para não me ir sem esforço nenhum abaixo.
Já expliquei que era"só isto" para o que ela apontava, que encolhia os ombros e sentia as lágrimas presas? Ancorei-as lá, nessa realidade onde tudo dói sempre um bocadinho mais!
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