A última vez que te beijei tinhas um sabor a halls mel e limão. Recordei esse sabor durante um tempo. O tempo em que durou a minha embalagem. Ontem comi o último. Perdi o teu sabor.
A última vez que te olhei tinhas um sorriso fraco e lateral. Procurei e procurei o teu sorriso, o outro o costumeiro, o meu e nada! Durou até ter-te desligado a imagem. Um dia vou esquecer esse sorriso fraco e lateral e guardar o único e verdadeiro. O meu. Aquele que me deste quando me deixaste e muita força desejaste.
Ouvi-te o coração de forma forte e decidida quando a ele pela última vez me encostei.
Vi o brilho desses olhos quando me olhaste de forma profunda e honesta pela última vez. Já foste assim, bonito, forte e honesto. Contigo. Comigo.
Houve sempre uma última vez connosco. Sempre foi essa a nossa realidade; uma última vez, a última vez, nunca para a frente ou tudo para um frente muito mais à frente do que aquele que nos é permitido sonhar.
Vai haver um outro alguém com um outro sabor e com um outro olhar.
Vai haver um outro alguém com um bater de coração diferente e com uma honestidade que me dê vontade de sonhar com um mais à frente. Um que envolva o pequeno almoço de amanhã. Não o nosso que esse seria muito mais à frente. Num tempo em que a fome já me teria consumido.
Entrei numa missão: desistir de ti e de nós. Deixar de acreditar que iria haver algum nós em algum dia. Perdi-te num sonho que foi sonhado só por mim. Acordei.

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