Faz um ano desde a última vez que me senti feliz.
Explico e esclareço. Não falo/escrevo das felicidades familiares, de partilhas de sorrisos entre amigos, de abraços ou conversas que nos reconfortam...
Há um ano que não sou feliz de amor. Eu!
Esperanças depositadas num amor lindo e com um historial digno de arranjar netos ou sobrinhos a quem o re contar vezes sem conta. Esperanças falhadas e realidade aceite, sempre houve uma aparte que inegavelmente me ficou qual espinho no pé, pedra no sapato...enfim, metáforas à parte, nunca percebi nem tão menos aceitei a parte do "a felicidade é super valorizada".
Faz um ano desde que abri o meu coração e voltei a acampar no campo da felicidade.
Choradeira e tristeza passadas voltei a utilizar a teimosia que me é característica para me agarrar e voltar a levantar.
Não peço desculpa por assim ser e nem acho que procure enganar ou vender este meu sonho de que a felicidade vale a pena nem que seja pela pequena janela de tempo que dura.
Dizia /escrevia o Oscar Wilde que "um homem pode ser feliz com qualquer mulher desde que não a ame". Logo ele, logo o senhor que já me convenceu tantas outras vezes do contrário. Recuso-me a acreditar que nos devamos contentar com estes pequenos momentos de borboletas esvoaçantes e não podemos esperar mais desta pequena passagem pela vida. Que tenhamos que abdicar de grandes amores em prol de vidas a dois com pessoas com as quais as coisas são mais práticas e não mais felizes. Que um dia a dia calmo e pacífico seja a aspiração em vez de pétalas sobre corpos nús e insónias sufocantes...Que o pequeno almoço almoço ao sábado de manhã substitua a garrafa de vinho de sexta feira à noite...
Não me interpretem mal! Adoro coisas práticas a dois ou a três, manhãs, tardes, noites e madrugadas calmas e pacíficas, pequenos almoços, almoços jantares e ceias de manhã...mas prefiro as borboletas, a humildade de perceber que sou um mero instrumento num sistema de recompensa efémera a que o prazer obriga, que nada mais posso fazer a não ser subjugar-me e deixar-me sentir...que não consigo obrigar-me a parar de sentir!
A felicidade está assim tratada. Não existe sobre a forma amorosa há um ano!Está na hora de chegarmos aos " e afins..."
Estou quase a baixar os braços. Será da idade ou do excesso de solidão?
Estará mesmo na hora de ser sociável ou vem aí mais desilusão? Será o contacto humano resposta para o ostracismo a que me dedico?
Estou quase quase a aceitar...não a achar que faça sentido mas quase quase a aceitar que estando sozinha me conheço muito mais e melhor do que na partilha do prático dos dias. Percebi de uma vez por todas que independentemente de eu me proteger ou não, as expectativas e as desilusões acontecem.
Quase a declarar independência ao orgão bombeador de sentimentos e a deixar-me estar assim...de pernas para o ar tudo faz mais sentido!

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