Durante muito tempo achei que era fraqueza quem se achava feliz apenas em companhia de alguém. Habituei-me desde muito cedo à solidão e à tristeza inerente à sua presença em mim. Depois do hábito veio a habituação e foi nesse ponto que criei a crítica a quem não consegue estar só.
Gosto de assim estar, de não dar recados nem ter mensagens de ninguém. Gosto ou gostava?
De há um tempo para cá iniciei o processo contrário.
Parece-me que a solidão e a tristeza completam-se muito bem enquanto sentimentos vividos a sós. A alegria parece-me mesmo feira para a partilha. A alegria e a beleza.
A meio de "Desumanização" de Walter Hugo Mãe encontro um paralelismo com o caminho da minha auto descoberta...Fico feliz e não tenho com quem partilhar...primeiro a beleza, depois a alegria!
"A beleza da lagoa é sempre alguém. porque a beleza da lagoa só acontece porque a posso partilhar. Se não houver ninguém, nem a necessidade de encontrar a beleza existe nem a lagoa será bela. A beleza é sempre alguém, no sentido em que ela se concretiza apenas pela expectativa da reunião com o outro."
"A esperança na humanidade, talvez por ingénua convicção, está na crença de que o indivíduo a quem se pede que ouça o faça por confiança. É o que todos almejamos. Que acreditem em nós. Dizermos algo que se toma como verdadeiro porque o dizemos simplesmente."

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